Podemos definir estilos de aprendizagem como sendo
“predisposições para adoptar determinadas estratégias de
aprendizagem ou a forma como o sujeito responde a diversos estímulos” (Oliveira,
José H. Barros (2007), Psicologia da Educação – Aprendizagem - Aluno, Legis Editora).
Diferem, conceptualmente, da noção de estilos
cognitivos – os quais se reportam a “certos modos característicos de perceber,
de memorizar e recordar, de pensar e resolver problemas, de processar e
utilizar a informação, processos intelectuais que dependem intimamente das
tendências fundamentais da personalidade” (Oliveira, José H. Barros (2007), Psicologia da Educação – Aprendizagem -
Aluno, Legis Editora) e,
ainda, da noção de inteligências múltiplas de Gardner (1993) – o qual,
distanciando-se da “concepção unitária da inteligência e da sua avaliação
através do QI, “afirma que a inteligência consiste numa série de competências
para resolver os problemas e intervir nos diversos ambientes” (Oliveira, José H. Barros (2007), Psicologia da Educação – Aprendizagem -
Aluno, Legis Editora).
Não são, por seu turno, “um método, uma
metodologia nem uma teoria da psicologia” (Barros,
2009) e podem mudar ao longo da vida, em consequências das novas experiências
adquiridas/ contextos diversificados aí inerentes.
Na verdade, e dado que estes se prendem
com as preferências e as tendências das pessoas, estando, por esta razão,
diretamente relacionados com as suas vivências (pessoais) num dado momento, não
são estáticos.
A
discussão teórica em torno da teoria dos estilos teve como base os estudos realizados por Kolb (1976),
tendo este concluído que “cada sujeito enfoca a aprendizagem de uma forma
peculiar, por ser fruto da herança e das experiências anteriores e até mesmo
das exigências atuais do ambiente em que vivem”.
Os estilos de aprendizagem, de acordo com as
teorias de Honey e de Mumford (1986) resultaram de uma
reflexão académica e da análise da teoria e do questionário de Kolb (1984) – procurando-se investigar
a razão pela qual, numa dada situação,
em que duas pessoas compartilham o mesmo texto e o mesmo contexto, uma delas consegue aprender e a outra
não.
A resposta prende-se com a forma peculiar de cada
indivíduo reagir a uma dada situação, sendo esta explicada pelas necessidades
diferenciadas de cada um deles face à forma como a aprendizagem é exposta
refletindo-se esta nas distintas formas de apreensão do conhecimento.
Alonso e Gallego (2002), tendo como base os estudos de Keefe (1998) definem
estilos de aprendizagem como sendo “rasgos cognitivos, afectivos e
fisiológicos, que servem como indicadores relativamente estáveis de como os
alunos percebem, interagem e respondem a seus ambientes de aprendizagem”.
De acordo com a investigação levada a cabo, em
contexto educacional, por parte destes investigadores, foram identificados quatro
estilos de aprendizagem:
. O
estilo ativo – Valoriza dados da
experiência; entusiasma-se com tarefas novas e é muito ágil; gosta de novas experiências e de desafios; mente
aberta; não gosta de estar pendente de prazos a cumprir; gerador de ideias;
criativo; inovador; humano; espontâneo; voluntarioso; participativo; divertido;
solucionador de problemas e modificador.
. O
estilo reflexivo – Atualiza
dados, estuda, reflete e analisa;
gosta de considerar a experiência e observá-la de diferentes perspectivas;
reúne dados, analisando-os com detalhe antes de tecer conclusões; prudente;
ponderado; observador; detalhista; registador de dados; analítico; exaustivo;
inquisidor.
. O
estilo teórico – É lógico;
estabelece teorias, princípios, modelos; procura a estrutura, sintetiza;
perfeccionista; racional; objetivo; distanciando-se da subjetividade e da
ambiguidade; planeador; inventor de procedimentos; explorador.
. O
estilo pragmático – Aplica a
ideia e faz experiências; descobre o aspecto positivo das novas ideias e
aproveita a primeira oportunidade para as experimentar; atua com rapidez e
segurança face às ideias e/ ou projetos que o atraem; realista; prático, direto; decidido; rápido; positivo; atual; solucionador de
problemas.
(Adaptado do texto “A Teoria dos Estilos de
Aprendizagem” (referencial espanhol), Professora Daniela Melaré Vieira Barros).
Ressalva-se a importância
do contributo de Catalina Alonso Garcia
para o contexto educativo, dado que procedeu à adaptação das teorias de Honey e Mumford, usualmente trabalhadas nas áreas da psicologia e do mundo
empresarial, a este contexto em
particular – proporcionando a reflexão académica sobre o tema e,
consequentemente, as importantíssimas repercussões da mesma,
nomeadamente a nível pedagógico, quer pelo despoletar das discussões teóricas
em torno do tema, quer pelo (consequente) fomento de metodologias de
trabalho e a adopção de
estratégias didáticas que visem a compreensão e aperfeiçoamento sistémico do
processo de ensino-aprendizagem nos diferentes níveis de ensino.
. Nota(s):
Questionário CHAEA (Cuestionario
Honey-Alonso de Estilos de Aprendizaje) – Para descobrir os comportamentos e a
forma de actuação das pessoas face às aprendizagens.
A teoria dos estilos de aprendizagem reveste-se de
importância vital, na medida em que
possibilita a reflexão critica sobre as práticas pedagógicas preconizadas, conduzindo, inevitavelmente, à
adopção de novas metodologias de ensino–aprendizagem; ao questionamento sobre a
eficácia das mesmas (autorregulação do processo); à criação de dispositivos de
diferenciação pedagógica (respeitando os diferentes estilos de aprendizagem);
ao envolvimento dos alunos na descoberta/ monitorização das suas próprias aprendizagens.
Keywords: Estilos de Aprendizagem, Dinâmicas de
Ensino–Aprendizagem, Aprender a Aprender; Prática Reflexiva, Inovação, Mudança.
Carla Alves ©
(Reflexão critica sobre os temas em estudo, guia
didática 1, no curso “Estilos de Uso do Espaço Virtual para a Aprendizagem
Online”, Universidade Aberta).

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