segunda-feira, 10 de junho de 2013

Estilos de Aprendizagem


Podemos definir estilos de aprendizagem como sendo “predisposições para adoptar determinadas estratégias de aprendizagem ou a forma como o sujeito responde a diversos estímulos” (Oliveira, José H. Barros (2007), Psicologia da Educação – Aprendizagem - Aluno,  Legis Editora).

Diferem, conceptualmente, da noção de estilos cognitivos – os quais se reportam a “certos modos característicos de perceber, de memorizar e recordar, de pensar e resolver problemas, de processar e utilizar a informação, processos intelectuais que dependem intimamente das tendências fundamentais da personalidade” (Oliveira, José H. Barros (2007), Psicologia da Educação – Aprendizagem - Aluno,  Legis Editora) e, ainda, da noção de inteligências múltiplas de Gardner (1993) – o qual, distanciando-se da “concepção unitária da inteligência e da sua avaliação através do QI, “afirma que a inteligência consiste numa série de competências para resolver os problemas e intervir nos diversos ambientes”  (Oliveira, José H. Barros (2007), Psicologia da Educação – Aprendizagem - Aluno,  Legis Editora).

Não são, por seu turno, “um método, uma metodologia nem uma teoria da psicologia” (Barros, 2009) e podem mudar ao longo da vida, em consequências das novas experiências adquiridas/ contextos diversificados aí inerentes.

Na verdade, e dado que estes se prendem com as preferências e as tendências das pessoas, estando, por esta razão, diretamente relacionados com as suas vivências (pessoais) num dado momento, não são estáticos.

A discussão teórica em torno da teoria dos estilos teve como base os  estudos realizados por Kolb (1976), tendo este concluído que “cada sujeito enfoca a aprendizagem de uma forma peculiar, por ser fruto da herança e das experiências anteriores e até mesmo das exigências atuais do ambiente em que vivem”.

Os estilos de aprendizagem, de acordo com as teorias de Honey e de Mumford (1986) resultaram de uma reflexão académica e da análise da teoria e do questionário de Kolb (1984) – procurando-se investigar a razão pela qual, numa dada situação,  em que duas pessoas compartilham o mesmo texto e o mesmo contexto,  uma delas consegue aprender e a outra não. 

A resposta prende-se com a forma peculiar de cada indivíduo reagir a uma dada situação, sendo esta explicada pelas necessidades diferenciadas de cada um deles face à forma como a aprendizagem é exposta refletindo-se esta nas distintas formas de apreensão do conhecimento.





Alonso e Gallego (2002), tendo como base os estudos de Keefe (1998) definem estilos de aprendizagem como sendo “rasgos cognitivos, afectivos e fisiológicos, que servem como indicadores relativamente estáveis de como os alunos percebem, interagem e respondem a seus ambientes de aprendizagem”.


De acordo com a investigação levada a cabo, em contexto educacional, por parte destes investigadores, foram identificados quatro estilos de aprendizagem:

. O estilo ativo – Valoriza dados da experiência; entusiasma-se com tarefas novas e é muito ágil; gosta de  novas experiências e de desafios; mente aberta; não gosta de estar pendente de prazos a cumprir; gerador de ideias; criativo; inovador; humano; espontâneo; voluntarioso; participativo; divertido; solucionador de problemas e modificador.

. O estilo reflexivo – Atualiza dados,  estuda, reflete e analisa; gosta de considerar a experiência e observá-la de diferentes perspectivas; reúne dados, analisando-os com detalhe antes de tecer conclusões; prudente; ponderado; observador; detalhista; registador de dados; analítico; exaustivo; inquisidor.

. O estilo teórico – É lógico; estabelece teorias, princípios, modelos; procura a estrutura, sintetiza; perfeccionista; racional; objetivo; distanciando-se da subjetividade e da ambiguidade; planeador; inventor de procedimentos; explorador.

. O estilo pragmático – Aplica a ideia e faz experiências; descobre o aspecto positivo das novas ideias e aproveita a primeira oportunidade para as experimentar; atua com rapidez e segurança face às ideias e/ ou projetos que o atraem; realista; prático, direto; decidido; rápido; positivo; atual; solucionador de problemas. 

(Adaptado do texto “A Teoria dos Estilos de Aprendizagem” (referencial espanhol), Professora Daniela Melaré Vieira Barros).


Ressalva-se a importância do contributo de Catalina Alonso Garcia para o contexto educativo, dado que procedeu à adaptação das teorias de Honey e Mumford, usualmente trabalhadas nas áreas da psicologia e do mundo empresarial,  a este contexto em particular – proporcionando a reflexão académica sobre o tema e, consequentemente, as importantíssimas repercussões da mesma, nomeadamente a nível pedagógico, quer pelo despoletar das discussões teóricas em torno do tema, quer pelo (consequente) fomento de metodologias de trabalho  e a adopção de estratégias didáticas que visem a compreensão e aperfeiçoamento sistémico do processo de ensino-aprendizagem nos diferentes níveis de ensino.

. Nota(s): Questionário CHAEA (Cuestionario Honey-Alonso de Estilos de Aprendizaje) – Para descobrir os comportamentos e a forma de actuação das pessoas face às aprendizagens.



A teoria dos estilos de aprendizagem reveste-se de importância vital, na medida em que  possibilita a reflexão critica sobre as práticas pedagógicas preconizadas, conduzindo, inevitavelmente, à adopção de novas metodologias de ensino–aprendizagem; ao questionamento sobre a eficácia das mesmas (autorregulação do processo); à criação de dispositivos de diferenciação pedagógica (respeitando os diferentes estilos de aprendizagem); ao envolvimento dos alunos na descoberta/ monitorização das suas próprias aprendizagens.


Keywords: Estilos de Aprendizagem, Dinâmicas de Ensino–Aprendizagem, Aprender a Aprender;  Prática Reflexiva, Inovação, Mudança.



Carla Alves ©
(Reflexão critica sobre os temas em estudo, guia didática 1, no curso “Estilos de Uso do Espaço Virtual para a Aprendizagem Online”, Universidade Aberta). 

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