Tendo como ponto de partida o (re)conhecimento das
características principais inerentes a cada um dos estilos de aprendizagem
subjacentes à teoria dos estilos proposta por Alonso, Gallego e Honey,
procurarei sugerir exemplos de estratégias pedagógicas que poderão ser tidas em
consideração nas dinâmicas de ensino-aprendizagem em contextos mediados pelo
recurso às TIC (estes poderão ser adaptados quer a ambientes exclusivamente
virtuais e/ ou, por seu turno, poderão ser inseridos, como forma de
“complemento” nas estratégias usualmente utilizadas no ensino presencial).
Relembremos, então, as características principais
de cada um dos estilos em estudo:
. Estilo de aprendizagem ativo - Animador;
improvisador; descobridor; espontâneo e temerário.
. Estilo de aprendizagem reflexivo - Ponderado;
consciente; recetivo; analítico e exaustivo.
. Estilo de aprendizagem teórico - Metódico;
lógico; objetivo; critico e estruturado.
. Estilo de aprendizagem pragmático -
Experimentador; práctico; direto; eficaz e realista.
Como poderemos traçar propostas de trabalho, a
aplicar em contextos virtuais e/ ou presenciais, face à diversidade de traços tão
distintivos, como os apontados anteriormente?
Creio que, e tendo como base o vastíssimo suporte
teórico existente nesta área,
assim como a experiência pessoal, o recurso às inúmeras redes de
aprendizagem e de desenvolvimento profissional atualmente disponíveis nos
contextos virtuais, propiciará o
desenvolvimento de práticas de ensino diferenciadas – as quais contemplarão os
diferentes estilos aqui referenciados.
Na verdade, sendo a maioria destes redes de
carácter gratuito, a sua utilização deverá ser considerada uma mais-valia
importantíssima, no ensino, face às inquestionáveis potencialidades por elas
oferecidas.
Assim,
independentemente dos objetivos dos cursos a implementar e/ ou projectos
a dinamizar nestes espaços de aprendizagem, estão reunidas as condições para o fomento do trabalho em
equipa e colaborativo, a partilha de ideias, experiências e práticas de ensino
diversificadas, potenciando a ampla exploração dos traços característicos de
cada um destes estilos.
Será através da interatividade estabelecida entre
os diferentes actores aqui implicados, alunos/ professores, da partilha e da cooperação desenvolvida,
que poderemos despoletar o
auto-conhecimento dos diferentes estilos, a compreensão/ o respeito dos mesmos
por parte dos pares, tendo em vista a construção de um caminho pedagógico que
vise “(...) melhorar a aprendizagem através da consciência pessoal das
peculiaridades dos professores e dos estudantes”, partilhando, assim, dos
pressupostos teóricos preconizados por Craveri e Anido (2008).
Ao considerarmos as redes de aprendizagem como
espaços privilegiados para o “convívio” harmonioso entre indivíduos portadores
de “rasgos cognitivos, afectivos e fisiológicos” - Alonso e Gallego (2002) -
distintos, estamos a (re)pensar
práticas de ensino, a perspectivar
novas abordagens didáticas e, acima de tudo, a (re)criar novas formas de
aprendizagem.
De salientar que estes espaços (virtuais)
possibilitam, de forma mais flexível, o implemento de atividades dirigidas, de
forma aberta e em simultâneo, aos diferentes estilos de aprendizagem. Assim, e
de acordo com (Lago, Colvin & Cacheiro, 2008), poderemos desenvolver desde
atividades monofásicas (contemplando 1 só estilo), bifásicas (contemplando 2
estilos), trifásicas (contemplando
3 estilos) e, até mesmo, actividades
ecléticas (contemplando 4 estilos).
Desta forma, ao respeitarmos os diferentes estilos
de aprendizagem de cada individuo, estimulamos o gosto pelas actividades a
serem dinamizadas, aumentando o grau de motivação de todos os intervenientes
neste processo (alunos/ professores) e facultamos os alicerces necessários à construção de ambientes
inteligentemente criativos e inovadores.
Carla Alves ©
(Reflexão critica sobre os temas em estudo, guia
didática 2, no curso “Estilos de Uso do Espaço Virtual para a Aprendizagem
Online”, Universidade Aberta).
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