domingo, 23 de junho de 2013

Estilos de Aprendizagem e Tecnologias


Tendo como ponto de partida o (re)conhecimento das características principais inerentes a cada um dos estilos de aprendizagem subjacentes à teoria dos estilos proposta por Alonso, Gallego e Honey, procurarei sugerir exemplos de estratégias pedagógicas que poderão ser tidas em consideração nas dinâmicas de ensino-aprendizagem em contextos mediados pelo recurso às TIC (estes poderão ser adaptados quer a ambientes exclusivamente virtuais e/ ou, por seu turno, poderão ser inseridos, como forma de “complemento” nas estratégias usualmente utilizadas no ensino presencial).


Relembremos, então, as características principais de cada um dos estilos em estudo:

. Estilo de aprendizagem ativo - Animador; improvisador; descobridor; espontâneo e temerário.

. Estilo de aprendizagem reflexivo - Ponderado; consciente; recetivo; analítico e exaustivo.

. Estilo de aprendizagem teórico - Metódico; lógico; objetivo; critico e estruturado.

. Estilo de aprendizagem pragmático - Experimentador; práctico; direto; eficaz e realista.


Como poderemos traçar propostas de trabalho, a aplicar em contextos virtuais e/ ou presenciais, face à diversidade de traços tão distintivos, como os apontados anteriormente?


Creio que, e tendo como base o vastíssimo suporte teórico existente nesta área,  assim como a experiência pessoal, o recurso às inúmeras redes de aprendizagem e de desenvolvimento profissional atualmente disponíveis nos contextos virtuais,  propiciará o desenvolvimento de práticas de ensino diferenciadas – as quais contemplarão os diferentes estilos aqui referenciados.


Na verdade, sendo a maioria destes redes de carácter gratuito, a sua utilização deverá ser considerada uma mais-valia importantíssima, no ensino, face às inquestionáveis potencialidades por elas oferecidas.


Assim,  independentemente dos objetivos dos cursos a implementar e/ ou projectos a dinamizar nestes espaços de aprendizagem,  estão reunidas as condições para o fomento do trabalho em equipa e colaborativo, a partilha de ideias, experiências e práticas de ensino diversificadas, potenciando a ampla exploração dos traços característicos de cada um destes estilos.


Será através da interatividade estabelecida entre os diferentes actores aqui implicados, alunos/ professores, da  partilha e da cooperação desenvolvida, que poderemos despoletar  o auto-conhecimento dos diferentes estilos, a compreensão/ o respeito dos mesmos por parte dos pares, tendo em vista a construção de um caminho pedagógico que vise “(...) melhorar a aprendizagem através da consciência pessoal das peculiaridades dos professores e dos estudantes”, partilhando, assim, dos pressupostos teóricos preconizados por Craveri e Anido (2008).


Ao considerarmos as redes de aprendizagem como espaços privilegiados para o “convívio” harmonioso entre indivíduos portadores de “rasgos cognitivos, afectivos e fisiológicos” - Alonso e Gallego (2002) - distintos,  estamos a (re)pensar práticas de ensino,  a perspectivar novas abordagens didáticas e, acima de tudo, a (re)criar novas formas de aprendizagem.


De salientar que estes espaços (virtuais) possibilitam, de forma mais flexível, o implemento de atividades dirigidas, de forma aberta e em simultâneo, aos diferentes estilos de aprendizagem. Assim, e de acordo com (Lago, Colvin & Cacheiro, 2008), poderemos desenvolver desde atividades monofásicas (contemplando 1 só estilo), bifásicas (contemplando 2 estilos),  trifásicas (contemplando 3 estilos) e, até mesmo, actividades ecléticas (contemplando 4 estilos). 


Desta forma, ao respeitarmos os diferentes estilos de aprendizagem de cada individuo, estimulamos o gosto pelas actividades a serem dinamizadas, aumentando o grau de motivação de todos os intervenientes neste processo (alunos/ professores) e facultamos os alicerces necessários  à construção de ambientes inteligentemente criativos e inovadores.


Carla Alves ©

(Reflexão critica sobre os temas em estudo, guia didática 2, no curso “Estilos de Uso do Espaço Virtual para a Aprendizagem Online”, Universidade Aberta). 

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