terça-feira, 9 de julho de 2013

Estilos de Uso do Espaço Virtual


A Teoria dos Estilos de Aprendizagem e as Tecnologias


A teoria dos estilos de aprendizagem permite-nos inferir a importância do recurso às novas tecnologias, nos atuais contextos educativos,  de forma a propiciarmos a criação de ambientes de aprendizagem amplamente diversificados, abertos e flexíveis – tendo em vista a sua apropriação, efetiva, por parte de uma vasta gama de públicos (com interesses,  backgrounds pessoais e profissionais tão variados quanto as especificidades intrínsecas aos seus próprios estilos de aprendizagem).


O espaço virtual, enquanto veículo catalisador de informação – veiculada num universo em constante recriação, através da adopção de uma panóplia de novas linguagens e formas de comunicação – possibilita-nos a apreensão e a transformação dessa mesma informação através do desenvolvimento de novas formas de habilidades.


“Poder-se-á afirmar que o século XXI nasceu com uma “Revolução Cultural” que se apoia em quatro conceitos: (1) informática e telecomunicações, (2) interactividade, (3) digitalização e (4) integração multimédia. Sendo incontestável que a “informação” é um dos pilares que sustenta a sociedade contemporânea, a modalidade de ensino a distancia parece ser o fio de prumo deste pilar e uma linha de força determinante da “Revolução Cultural” atrás referida”.


Discursos - Série: Perspectivas em Educação – Novos Rumos e Pedagogia em Ensino a Distância.  Universidade Aberta – Departamento de Ciências da Educação (Dezembro 2003).


Palloff e Pratt (2003) defendem que a educação online consitui um novo paradigma educacional, dado que este questiona, inegavelmente, as abordagens de cariz tradicional, fortemente alicerçadas em modelos de comunicação essencialmente unilaterais.


O eixo central da educação online reside, sem dúvida, na “dinamização de processos de aprendizagem ancorados na interação entre estudantes, entre a universidade e os estudantes e na colaboração na aprendizagem” (Palloff e Pratt, 1999). 


Sendo a interação a base de todo e qualquer modelo pedagógico implícito nos cursos implementados no E- Learning, será indubitavelmente através da participação ativa  aqui preconizada que os estudantes aperfeiçoarão as suas aprendizagens – as quais ocorrerão num ambiente  essencialmente promotor do trabalho colaborativo, permitindo o confronto/ a partilha de ideias que conduzirá à coconstrução  contínua do conhecimento e, desde logo, ao aperfeiçoamento/ aprofundamento sistémico das suas aprendizagens (individuais e coletivas).

Não podemos, contudo, esquecer que a aprendizagem colaborativa pressupõe, desde logo, a alavanca na aprendizagem independente (reportando-se esta ao trabalho autónomo, à apropriação individual dos conteúdos a abordar/ à assimilação e à transformação desses conteúdos em aprendizagens verdadeiramente  significativas por parte dos diferentes atores).


Assim,  tendo como base os paradigmas construtivistas e socioconstrutivistas orientadores desta modalidade de ensino, podemos (re)combinar diferentes tipos de relações de interações: aluno – aluno; professor – aluno – conteúdo; professor – professor; professor – conteúdo, conteúdo – conteúdo.


Caberá ao professor, entendido aqui como um mediador/ facilitador das aprendizagens,  a criação de situações (de aprendizagens) que possibilitem a coconstrução do conhecimento – resultante da coaprendizagem aqui desenvolvida.


O espaço virtual aproxima alunos/ professores de um ambiente de aprendizagem mais natural - no qual todos os atores podem expandir as suas competências cognitivas e os seus estilos de aprendizagem distintivos, gerando-se, desta forma, uma sinergia fortemente motivadora para a dinamização dos seus trabalhos/ projetos, interagindo, partilhando, aprendendo a aprender  e aprendendo a conhecer,  num  complexo processo contínuo “que mobiliza a inteligência cognitiva, afectiva,  emocional e expressiva” (Damásio, 1995).


Verificamos, então,  que a diferenciação pedagógica pode, neste tipo de ambientes, ser, de facto, concretizada propiciando-se, assim, a criação/ dinamização de oportunidades de aprendizagem devidamente personalizadas, nas quais os aprendentes gerem o seu próprio processo de aprendizagem.


“O ensino a distancia, em regime online, centra-se essencialmente no aluno como pessoa e pode implementar metodologias que valorizam aquilo que Matias Alves (1998) designa de “competências mais mobilizadoras”: a capacidade de iniciativa, a cooperação, o trabalho em equipa, a comunicação e o saber aprender. Associa o que Hilary  Steedman (1998) identifica como quatro domínios de competências a desenvolver em qualquer modalidade de ensino, dentro do sistema de educação formal: resolução de problemas, capacidades de comunicação, conhecimento e compreensão dos mecanismos sociais e capacidade de auto-avaliação e de auto-responsabilização pelo próprio desenvolvimento”.

Discursos - Série: Perspectivas em Educação – Novos Rumos e Pedagogia em Ensino a Distância.  Universidade Aberta – Departamento de Ciências da Educação (Dezembro 2003).





Carla Alves ©
(Reflexão critica sobre os temas em estudo, guia didática 3, no curso “Estilos de Uso do Espaço Virtual para a Aprendizagem Online”, Universidade Aberta). 

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