A Teoria
dos Estilos de Aprendizagem e as Tecnologias
A teoria dos estilos de aprendizagem permite-nos inferir
a importância do recurso às novas tecnologias, nos atuais contextos
educativos, de forma a
propiciarmos a criação de ambientes de aprendizagem amplamente diversificados,
abertos e flexíveis – tendo em vista a sua apropriação, efetiva, por parte de
uma vasta gama de públicos (com interesses, backgrounds pessoais e profissionais tão variados quanto as
especificidades intrínsecas aos seus próprios estilos de aprendizagem).
O espaço virtual, enquanto veículo catalisador de
informação – veiculada num universo em constante recriação, através da adopção
de uma panóplia de novas linguagens e formas de comunicação – possibilita-nos a
apreensão e a transformação dessa mesma informação através do desenvolvimento
de novas formas de habilidades.
“Poder-se-á afirmar que o século XXI nasceu com
uma “Revolução Cultural” que se apoia em quatro conceitos: (1) informática e telecomunicações,
(2) interactividade, (3) digitalização e (4) integração multimédia. Sendo
incontestável que a “informação” é um dos pilares que sustenta a sociedade
contemporânea, a modalidade de ensino a distancia parece ser o fio de prumo
deste pilar e uma linha de força determinante da “Revolução Cultural” atrás
referida”.
Discursos - Série: Perspectivas em Educação –
Novos Rumos e Pedagogia em Ensino a Distância. Universidade Aberta –
Departamento de Ciências da Educação (Dezembro 2003).
Palloff e Pratt (2003) defendem que a educação
online consitui um novo paradigma educacional, dado que este questiona,
inegavelmente, as abordagens de cariz tradicional, fortemente alicerçadas em
modelos de comunicação essencialmente unilaterais.
O eixo central da educação online reside, sem
dúvida, na “dinamização de processos de aprendizagem ancorados na interação
entre estudantes, entre a universidade e os estudantes e na colaboração na
aprendizagem” (Palloff e Pratt, 1999).
Sendo a interação a base de todo e qualquer modelo
pedagógico implícito nos cursos implementados no E- Learning, será indubitavelmente
através da participação ativa aqui preconizada que os estudantes aperfeiçoarão as suas
aprendizagens – as quais ocorrerão num ambiente essencialmente promotor do trabalho colaborativo, permitindo
o confronto/ a partilha de ideias que conduzirá à coconstrução contínua do conhecimento e, desde logo,
ao aperfeiçoamento/ aprofundamento sistémico das suas aprendizagens
(individuais e coletivas).
Não podemos, contudo, esquecer que a aprendizagem
colaborativa pressupõe, desde logo, a alavanca na aprendizagem independente (reportando-se
esta ao trabalho autónomo, à apropriação individual dos conteúdos a abordar/ à
assimilação e à transformação desses conteúdos em aprendizagens verdadeiramente significativas por parte dos diferentes
atores).
Assim,
tendo como base os paradigmas construtivistas e socioconstrutivistas
orientadores desta modalidade de ensino, podemos (re)combinar diferentes tipos
de relações de interações: aluno – aluno; professor – aluno – conteúdo;
professor – professor; professor – conteúdo, conteúdo – conteúdo.
Caberá ao professor, entendido aqui como um
mediador/ facilitador das aprendizagens,
a criação de situações (de aprendizagens) que possibilitem a
coconstrução do conhecimento – resultante da coaprendizagem aqui desenvolvida.
O espaço virtual aproxima alunos/ professores de um
ambiente de aprendizagem mais natural - no qual todos os atores podem expandir
as suas competências cognitivas e os seus estilos de aprendizagem distintivos, gerando-se,
desta forma, uma sinergia fortemente motivadora para a dinamização dos seus trabalhos/
projetos, interagindo, partilhando, aprendendo a aprender e aprendendo a conhecer, num complexo processo contínuo “que mobiliza a inteligência
cognitiva, afectiva, emocional e
expressiva” (Damásio, 1995).
Verificamos, então,
que a diferenciação pedagógica pode, neste tipo de ambientes, ser, de
facto, concretizada propiciando-se, assim, a criação/ dinamização de
oportunidades de aprendizagem devidamente personalizadas, nas quais os
aprendentes gerem o seu próprio processo de aprendizagem.
“O ensino a distancia, em regime online, centra-se
essencialmente no aluno como pessoa e pode implementar metodologias que
valorizam aquilo que Matias Alves (1998) designa de “competências mais
mobilizadoras”: a capacidade de iniciativa, a cooperação, o trabalho em equipa,
a comunicação e o saber aprender. Associa o que Hilary Steedman (1998) identifica como quatro
domínios de competências a desenvolver em qualquer modalidade de ensino, dentro
do sistema de educação formal: resolução de problemas, capacidades de
comunicação, conhecimento e compreensão dos mecanismos sociais e capacidade de
auto-avaliação e de auto-responsabilização pelo próprio desenvolvimento”.
Discursos - Série: Perspectivas em Educação –
Novos Rumos e Pedagogia em Ensino a Distância. Universidade Aberta –
Departamento de Ciências da Educação (Dezembro 2003).
Carla Alves ©
(Reflexão critica sobre os temas em estudo, guia didática 3, no curso “Estilos de Uso do Espaço Virtual para a Aprendizagem Online”, Universidade Aberta).

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